Doença de Crohn

Doença de Crohn

A incidência da doença de Crohn no Brasil cresceu mais de 11% desde 1990. O problema causa inflamações em áreas do trato gastrointestinal e pode provocar diarreia com sangue, má absorção de nutrientes e fadiga. Continue a leitura para saber mais sobre a doença, os sintomas, as formas de prevenção e o tratamento.

Considerada uma das principais doenças inflamatórias intestinais (DIIs), a doença de Crohn é incurável e pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal (que vai da boca até o ânus e também é chamado de tubo digestivo). Porém, é mais comum atingir o fim do intestino delgado (íleo) e o intestino grosso (cólon). As inflamações acontecem em partes da parede intestinal, formando úlceras que podem causar a perda da função do local atingido.

Fatores de risco para doença de Crohn

A doença está relacionada a um desequilíbrio no sistema imunológico, que passa a atacar os tecidos saudáveis por engano, causando inflamações. Existem alguns fatores de risco para doença de Chron, veja quais são:

Fatores não controláveis

  • Histórico familiar – se você tem algum parente próximo com a doença, como pai ou irmão, as chances de desenvolvê-la são maiores;
  • Idade – a maioria dos casos aparece entre 15 e 35 anos.

Fatores controláveis

  • Fumar – aumenta as chances de desenvolver a doença, além de piorar os sinais e sintomas quando ela já se instalou;
  • Estresse – pode ser um gatilho para a doença;
  • Medicamentos – o consumo de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e pílulas anticoncepcionais também aumenta o risco.

Sinais e sintomas da doença de Crohn

Os sinais e sintomas da doença de Crohn se tornam mais visíveis conforme o problema avança. Podem variar de leves a graves, dependendo da área afetada e da intensidade da inflamação. Os principais são:

  • Estomatites (inflamações na boca);
  • Diarreia (que pode conter sangue);
  • Dor e distensão no abdômen;
  • Perda de apetite;
  • Perda de peso;
  • Febre;
  • Cólicas;
  • Dificuldade para eliminar gases.
  • Atraso no crescimento em crianças.

A doença também pode desencadear outros problemas fora do trato gastrointestinal. São conhecidos como sintomas extraintestinais e atingem as seguintes áreas:

  • Articulações – cerca de 33% dos pacientes têm sintomas nas articulações, como artrite e tendinite;
  • Pele nódulos inflamados podem surgir debaixo da pele e causar dores;
  • Olhos problemas nos olhos, como a catarata e conjuntivite, afetam de 2 a 6% das pessoas com a doença de Crohn;
  • Fígado cerca de 7% das pessoas têm problemas como hepatite (inflamação no fígado).

É possível que os sinais e sintomas da doença de Crohn desapareçam, o que é conhecido como período de remissão. De qualquer forma, mesmo que você tenha um ou mais dos listados acima, não significa que desenvolveu a doença. Consulte um médico, apenas ele é capaz de fazer o diagnóstico correto e indicar o melhor tratamento para o seu caso.

Diagnóstico da doença de Crohn

Não é fácil fazer o diagnóstico da doença de Crohn, pois os sinais e sintomas são parecidos com os de várias outros problemas de saúde. O médico precisa analisar o histórico familiar, avaliar os sinais e sintomas relatados e verificar se há distensão, dor e sensibilidade no abdômen causadas pela inflamação. É possível que ele também peça os seguintes exames:

  • Testes de anemia ou infecção – verifica a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue e a presença de bactérias ou vírus no organismo;
  • Exame de sangue oculto nas fezes – realizado em amostra de fezes;
  • Colonoscopia – permite visualizar todo o cólon usando um tubo fino e flexível com uma câmera acoplada;
  • Endoscopia digestiva alta – analisa a mucosa do esôfago, estômago e a primeira parte do intestino delgado por meio de um tubo com uma câmera na ponta;
  • Biópsia uma pequena parte do revestimento do intestino é retirada e examinada em laboratório para identificar sinais de inflamação causados pela doença;
  • Radiografia – revela locais estreitos no intestino e evidencia lesões na área.

Prevenção da doença de Crohn

Não é possível fazer a prevenção da doença de Crohn. Mas alguns fatores que aumentam o risco de desenvolver o problema podem ser evitados adotando algumas medidas:

  • Pare de fumar – ajuda a diminuir o risco de desenvolver também outras doenças, como enfisema e câncer de pulmão;
  • Procure não usar anti-inflamatórios não esteroides – eles também aumentam as chances de desenvolver a doença de Crohn;
  • Evite situações estressantes - tire um tempo para descansar, relaxar e se dedicar aos seus hobbies.

Tratamento para doença de Crohn

A doença não tem cura, o objetivo do tratamento é aliviar e levar ao desaparecimento dos sinais e sintomas. O tipo de tratamento para doença de Crohn varia de acordo com a gravidade, o local em que estão as inflamações e o estado de saúde geral da pessoa. Os principais são:

Medicamentos – ajudam a reduzir e a causar o desaparecimento dos sinais e sintomas e das inflamações. Existem alguns tipos que podem ser indicados:

  • Anti-TNF – se liga com a proteína Fator de Necrose Tumoral Alfa (TNFα) e reduz a inflamação causada pela doença;
  • Antibióticos – combatem as infecções associadas à doença de Crohn;
  • Aminossalicilatos – induzem ao desaparecimento dos sintomas;
  • Corticosteiroides – reduzem os sintomas e levam ao desaparecimento da doença;
  • Imunossupressores – diminuem a resposta do sistema imune e mantêm o desaparecimento dos sintomas.

Cirurgia – é recomendada quando os medicamentos não são capazes de controlar os sintomas ou quando a doença causa complicações mais sérias, como o estreitamento intestinal.

Dieta – pode ser necessário evitar alguns alimentos. Entretanto, a dieta serve apenas como coadjuvante dos outros tratamentos. Sozinha, ela não é capaz de aliviar ou causar o desaparecimento dos sinais e sintomas.

O tratamento para doença de Crohn é individual, ou seja, o que é bom para outra pessoa com o mesmo problema pode não ser para você. Só o médico é capaz de indicar o melhor tratamento para o seu caso, assim como as mudanças necessárias na alimentação. Siga à risca as orientações dele e nunca se automedique.

Referências

 

PP-PFE-BRA-1310