Bebês pequenos para idade gestacional

Bebês pequenos para idade gestacional

Provavelmente, você nunca ouviu falar sobre um bebê pequeno para a idade gestacional (PIG). O termo bem conhecido no meio médico não é muito popular, mas indica uma condição relativamente comum. Para se definir adequadamente o PIG, é necessário conhecimento preciso da idade gestacional, peso, comprimento e perímetro cefálico ao nascer e dados de referência populacional.

O consenso sobre PIG recomenda que a definição inclua peso e/ou comprimento ao nascer abaixo de - 2 desvios-padrão (DP) da média populacional, pois isto identifica a maioria daqueles que necessitarão de acompanhamento do crescimento contínuo.1

Além do crescimento, existem outras consequências metabólicas que podem acometer um PIG. Existe um fenômeno, ainda não muito compreendido, chamado de “programação”. Por meio dele, uma criança que não esteja se desenvolvendo bem durante a gestação “programa” seu “computador de bordo” para crescer menos e adota parâmetros metabólicos que podem resultar em complicações futuras.

Parece tratar-se de uma síndrome de resistência pluri hormonal, em que, além de resistência ao hormônio do crescimento (GH) e ao IGF-I (fator de crescimento semelhante à insulina, que atua na placa de crescimento ósseo), ocorre resistência à insulina (o que predispõe tais pacientes ao diabetes mellitus tipo 2). Complicações metabólicas, hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade e puberdade precoce podem comprometer a qualidade de vida e a capacidade de crescimento desses pacientes.

Fatores de risco para crianças nascidas pequenas para idade gestacional

  • Fatores fetais (genética, anomalias congênitas, gestação múltipla);2
  • Fatores maternos (desnutrição, uso de substâncias ilícitas, alcoolismo e tabagismo, malformações uterinas);2
  • Fatores placentários (tamanho e funcionamento).2

Diagnóstico de crianças nascidas pequenas para idade gestacional

Durante a gestação, é feito o diagnóstico de restrição de crescimento intrauterino. Mas, somente ao nascer é possível confirmar que o tamanho é menor do que o esperado para o sexo e para a idade gestacional. É necessário um acompanhamento cuidadoso, com avaliações de altura e peso por profissional de saúde a cada três meses durante o primeiro ano1 e a cada seis meses nos dois anos seguintes.2

Grande parte dos pacientes apresenta recuperação estatural. Geralmente, nos seis a doze meses de vida. Alguns farão sua recuperação nos primeiros dois anos. Em geral, os prematuros demoram mais para se recuperar, atingindo seu canal familiar de crescimento ao redor dos quatro anos de idade. No entanto, de 8 a 22% (média de 15%) dos pacientes não recuperam seu canal familiar de crescimento e terão indicação de tratamento.3 Nos casos em que não há recuperação de estatura, doenças pediátricas comuns, doenças genéticas e disfunções hormonais devem ser descartadas.2

Tratamento para crianças nascidas pequenas para idade gestacional

PIG é uma das indicações aprovadas de uso do hormônio de crescimento (GH). Preconiza-se o uso naquelas crianças que não apresentaram recuperação estatural (catch-up). Após recuperação inicial do crescimento, a maior parte desse ganho estatural é mantida até a fase adulta. Há evidência de melhorias na estatura, perfil lipídico e pressão arterial das crianças tratadas de forma adequada.2

Neste processo, os pais têm papel primordial no acompanhamento das crianças PIG. Os pacientes devem ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar, incluindo neonatologistas, pediatras, nutricionistas e endocrinologistas pediátricos. O objetivo deste time é manejar da melhor forma possível o crescimento, o controle da glicose e a função gonadal dos pacientes.2

Toda a avaliação e indicação do tratamento deve ser realizada por um médico endocrinologista experiente. A dose e duração do tratamento devem ser individualizadas, de acordo com os exames e resposta do paciente.

Referências

  1. Clyaton PE, et al. A Consensus statement: management of the child born small for gestational age through to adulthood: a consensus statement of the international societies of pediatric endrocrinology and the growth hormone research society. J Clin Endocrinol Metab. 2007;92:804-10.
  2. Boguszewski MCS, et al. Latin American Consensus: Children Born Small for Gestational Age. BMC Pediatrics 2011, 11:66.

 

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