Baixa estatura idiopática

Baixa estatura idiopática

Baixa estatura idiopática (BEI) é definida pela presença de baixa estatura maior que 2 desvios-padrão abaixo da média de altura para determinada idade, sexo e grupo populacional. Não há evidências de anormalidades sistêmicas, endócrinas, nutricionais ou cromossômicas. Geralmente, crianças com BEI apresentam peso normal ao nascerem e secreção suficiente de hormônio de crescimento (GH).

Estima-se que 60 a 80% das crianças pequenas que estão abaixo de 2 desvios-padrão se encaixam na definição de BEI, que inclui crianças com retardo do crescimento/puberdade e baixa estatura familiar.1 Como a baixa estatura não é uma doença em si, diferentes fatores levam os pais a procurar ou não a avaliação médica. E, quando procuram, querem saber se existe algum tratamento para ajudar os filhos a crescerem.2

A maioria destas crianças é saudável. Mas, faz-se necessário afastar algumas condições clínicas associadas com baixa estatura, como:2

  • Hipotireoidismo;
  • Desnutrição;
  • Doença celíaca;
  • Doença renal;
  • Outras doenças crônicas.

Sinais e sintomas da baixa estatura idiopática

Na ausência das doenças acima, quando o padrão de crescimento da criança está em desacordo com o padrão familiar, é necessário realizar avaliações clínicas, de imagem e laboratoriais mais detalhadas.3 Tais procedimentos são especialmente importantes nas seguintes situações:2-4

  • Estatura menor que o percentil 0,5 da curva de crescimento para crianças do mesmo sexo e idade;
  • Proporção anormal entre os comprimentos dos membros superiores e inferiores;
  • Diferença entre idade óssea e idade cronológica maior de 18 meses;
  • Velocidade de crescimento menor que a esperada para crianças do mesmo sexo e idade.

História familiar de atraso de puberdade pode sugerir tratar-se apenas de um caso de crescimento mais lento, que não comprometerá a estatura definitiva.4 Dosagens hormonais dentro da normalidade afastam a hipótese de formas graves de deficiência de hormônio do crescimento, mas não a de déficits mais leves.5

Diagnóstico da baixa estatura idiopática

Apesar dos avanços da medicina, muitas crianças apresentam avaliação clínica e laboratorial dentro da normalidade, não sendo possível detectar alterações que justifiquem a falta de crescimento. Nestes casos, as crianças são ditas como portadoras de baixa estatura idiopática.4,5

A baixa estatura idiopática é um diagnóstico de exclusão, que exige exames bioquímicos, hormonais e moleculares e de imagem para afastar todas as causas conhecidas de atraso do crescimento.4

Tratamento para baixa estatura idiopática

Atualmente, os dados disponíveis indicam que a utilização de hormônio do crescimento (GH) no tratamento da BEI é seguro e eficaz na promoção de crescimento.4 Quando indicado, o tratamento com GH em pacientes com idade pré-puberal permite uma melhor resposta. Assim, o tratamento precoce é importante.4

Toda a avaliação e indicação do tratamento deve ser realizada por um médico endocrinologista experiente. A dose e duração do tratamento devem ser individualizadas, de acordo com os exames e resposta do paciente.

Referências

  1. Cohen, P, et al. Consensus Statement on the Diagnosis and Treatment of Children with Idiopathic Short Stature: A Summary of the Growth Hormone Research Society, the Lawson Wilkins Pediatric Endocrine Society and the European Society for Paediatric Endocrinology Workshop. J. Clin. Endocri. Metab. First Publish ahead of print September 9, 2008 as doi:10.1210/jc.2008-0509.
  2. Grimberg A, et al. Parental Concerns Influencing Decisions to Seek Medical Care for a Child’s Short Stature. Horm Res Paediatr 2015;84:338–348.
  3. Dauber A, Rosenfeld, R and Hirschhorn J. Genetic Evaluation of Short Stature. J Clin Endocrinol Metab. 2014 Sep; 99(9): 3080–3092.
  4. Carrascosa A, et al. Talla baja idiopática. Revisión y puesta al día. An Pediatr (Barc). 2011;75(3):20e1—204.e11.
  5. Murray P, Dattani, M, Clayton P. Controversies in the diagnosis and management of growth hormone deficiency in childhood and adolescence. Arch Dis Child 2016;101:96–100.

 

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